Essa é uma das perguntas que mais aparecem quando alguém está começando a investir. CDB ou Tesouro Direto? Qual rende mais? Qual é mais seguro? Qual escolher?
A resposta honesta é: depende. Não do seu “perfil de investidor” em sentido abstrato, mas do que você quer fazer com esse dinheiro, quando vai precisar dele e qual taxa está disponível no momento.
Vou te explicar os dois e, no final, te dar uma forma prática de decidir.
O que é CDB
CDB significa Certificado de Depósito Bancário. Quando você compra um CDB, você está emprestando dinheiro para um banco. Em troca, o banco te paga juros.
A taxa pode ser de dois tipos principais. CDB pós-fixado: rende um percentual do CDI (por exemplo, 110% do CDI). O CDI acompanha de perto a Selic, então esse tipo de rendimento varia conforme as taxas de juros mudam. CDB prefixado: você sabe desde o início a taxa exata que vai receber (por exemplo, 12% ao ano).
A segurança do CDB vem do FGC (o Fundo Garantidor de Créditos). Ele garante até R$ 250.000 por CPF por instituição financeira. Então se o banco quebrar, você recebe de volta até esse valor. Importante: o FGC cobre o principal mais os juros, não apenas o valor que você investiu.
Bancos menores costumam oferecer taxas mais atraentes que os grandes bancos. Um banco digital pequeno pode oferecer 115% do CDI enquanto o Bradesco ou Itaú oferecem 100% ou menos. Isso acontece porque bancos menores precisam atrair mais capital e por isso oferecem rentabilidade maior como incentivo.
O que é Tesouro Direto (resumo)
O Tesouro Direto é o programa do governo federal para venda de títulos públicos a pessoas físicas. Você empresta dinheiro para o governo e recebe de volta com juros.
O principal título para comparar com CDB é o Tesouro Selic (que rende 100% da Selic, praticamente igual ao CDI) com liquidez diária.
A segurança do Tesouro Direto é máxima dentro do sistema financeiro brasileiro, garantida pelo governo federal, sem limite de valor, sem necessidade de FGC.
As diferenças principais entre os dois
Segurança: Tesouro Direto ganha. O governo federal é mais sólido que qualquer banco. Mas na prática, para valores abaixo de R$ 250.000 em uma única instituição, o FGC equipara a proteção.
Rentabilidade: CDB pode ganhar, dependendo da taxa. Tesouro Selic rende 100% da Selic. Um CDB bom rende 110%, 115%, até 120% do CDI, isso significa mais rendimento na prática. A diferença aumenta com o tempo.
Liquidez: depende do produto. Tesouro Selic tem liquidez diária garantida sem perda de rendimento. CDB pode ser com liquidez diária, no vencimento ou sem liquidez, depende de cada oferta. CDB sem liquidez costuma pagar taxas maiores em troca disso.
Tributação: igual para os dois. A tabela de IR regressiva se aplica da mesma forma, quanto mais tempo, menor a alíquota. E IOF nos primeiros 30 dias.
Valor mínimo: Tesouro Direto aceita a partir de R$ 2. CDB mínimo varia por instituição, pode ser R$1, R$ 100, R$ 500 ou R$ 1.000.
Quanto a diferença de rendimento importa na prática
Veja um exemplo concreto com R$ 10.000 investidos por 2 anos, considerando CDI em 11% ao ano:
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Tesouro Selic (100% CDI): rendimento bruto aproximado de R$ 2.321. Após IR de 15%: R$ 1.973 líquido.
CDB 115% CDI: rendimento bruto aproximado de R$ 2.698. Após IR de 15%: R$ 2.293 líquido.
A diferença é de R$ 320 em 2 anos. Em valores absolutos, não é enorme, mas em percentual, representa um retorno 16% maior. Para quantias maiores e prazos mais longos, essa diferença fica mais significativa.
Como decidir qual usar
Aqui está a forma prática de pensar nisso:
Para reserva de emergência: Tesouro Selic ou CDB com liquidez diária rendendo pelo menos 100% do CDI. Priorize a liquidez, você pode precisar desse dinheiro a qualquer momento.
Para dinheiro que você não vai precisar por 1 a 3 anos: compare as taxas disponíveis. Se você achar um CDB pagando 115% ou mais do CDI com prazo fechado, considere seriamente. A taxa maior compensa a falta de liquidez se você tiver certeza de que não vai precisar do dinheiro antes.
Para objetivos de longo prazo (5 anos ou mais): o Tesouro IPCA+ costuma ser interessante porque protege contra inflação. CDB prefixado também pode funcionar se a taxa for atraente.
Para quem está começando: Tesouro Selic. A simplicidade e a segurança compensam qualquer diferença de rendimento que você possa perder. Conforme você aprende mais, pode diversificar para outras opções.
A regra que eu uso
Se encontro um CDB com liquidez diária pagando acima de 103% do CDI, prefiro ao Tesouro Selic para a reserva de emergência, a taxa é melhor e a proteção do FGC é suficiente para valores abaixo de R$ 250.000.
Para valores acima de R$ 250.000 em uma única instituição, migro para o Tesouro Direto sem pensar duas vezes, a segurança do governo federal não tem preço.
Para dinheiro que posso travar por 1 ano ou mais, sempre comparo as ofertas de CDB disponíveis nas plataformas. Às vezes aparece uma oportunidade de 120% do CDI ou mais que vale muito a pena.
Onde encontrar boas taxas de CDB
Plataformas como Daycoval, XP, BTG, Itaú e Inter concentram ofertas de vários bancos pequenos e médios. É possível filtrar por prazo, liquidez e percentual do CDI.
Sempre compare pelo rendimento líquido, depois do IR. Uma diferença de percentual bruto pode ficar menor após tributação dependendo do prazo.
Nunca invista em CDB de banco que você nunca ouviu falar sem pesquisar antes. Verifique se a instituição é regulada pelo Banco Central, se está ativa e qual é o rating de crédito. O FGC protege em caso de quebra, mas é bom evitar o processo de acionamento.
No fim do dia, CDB e Tesouro Direto são dois bons caminhos. Você pode ter os dois ao mesmo tempo, e provavelmente vai ter conforme o patrimônio crescer. O importante é tirar o dinheiro da conta corrente e fazê-lo trabalhar para você.
Quer entender melhor o universo da renda fixa? Leia o artigo “O que é renda fixa e como funciona na prática”, é a visão geral que vai fechar o seu entendimento sobre esses investimentos. E para receber conteúdo prático toda semana, entre na newsletter do Grana no Azul.
