O Tesouro Selic é o investimento mais chato que existe. E é exatamente por isso que você deveria ter um.
Sem suspense, sem promessa de retorno extraordinário, sem emoção. Você coloca dinheiro, o governo paga juros, você resgata quando precisar. Simples assim.
Para quem está começando, o Tesouro Direto costuma ser o lugar mais seguro e acessível para dar os primeiros passos como investidor. Vou te explicar como funciona tudo, do começo ao fim, sem enrolação.
O que é o Tesouro Direto
O Tesouro Direto é um programa do governo federal criado em 2002 para que pessoas físicas possam emprestar dinheiro para o governo brasileiro. Em troca desse empréstimo, o governo paga juros.
Quando o governo precisa de dinheiro para financiar seus projetos (estradas, saúde, educação, pagamento de servidores) ele emite títulos públicos. Grandes fundos e bancos sempre compraram esses títulos. O Tesouro Direto é o programa que permite que você, pessoa física, compre os mesmos títulos a partir de um valor muito baixo, como R$ 2,00.
É considerado o investimento mais seguro do Brasil porque é garantido pelo governo federal. Para você perder dinheiro aqui, o Brasil teria que decretar falência e dar calote na própria dívida interna (algo que nunca aconteceu e seria catastrófico de formas muito maiores do que o rendimento do seu investimento).
Os três principais tipos de título
Existem vários títulos disponíveis no Tesouro Direto, mas para quem está começando, você precisa conhecer três.
Tesouro Selic
É o mais simples de todos. Rende conforme a taxa Selic, a taxa básica de juros da economia brasileira, definida pelo Banco Central. Hoje a Selic está em um patamar elevado, o que faz esse título render bem.
Principais características: liquidez diária (você pode resgatar qualquer dia útil sem perder rendimento), rendimento acompanha a Selic, baixíssima volatilidade (o valor nunca vai “cair” na sua tela como acontece com ações).
Para que serve: reserva de emergência e dinheiro que você pode precisar no curto prazo.
Tesouro Prefixado
Aqui você sabe desde o início exatamente qual será o rendimento, por exemplo, 12% ao ano. Não importa o que aconteça com a Selic ao longo do caminho, você vai receber 12% ao ano se mantiver o título até o vencimento.
O risco: se você precisar vender antes do vencimento, o preço de mercado pode estar abaixo do que você pagou, e você pode perder dinheiro. Por isso, só invista em Tesouro Prefixado se tiver certeza de que não vai precisar do dinheiro antes da data de vencimento.
Para que serve: quando você tem um objetivo com data definida, por exemplo, fazer uma viagem em 2027. Você compra um Tesouro Prefixado que vence em 2027 e sabe exatamente quanto vai ter.
Tesouro IPCA+
Esse título rende a inflação (medida pelo IPCA) mais uma taxa adicional. Por exemplo, IPCA + 6% ao ano. Isso significa que o seu dinheiro sempre vai crescer acima da inflação, seu poder de compra está protegido.
É o título favorito de quem pensa em aposentadoria ou objetivos de longo prazo, porque garante que o dinheiro vai valer mais no futuro do que vale hoje em termos reais.
O mesmo cuidado se aplica: vender antes do vencimento pode gerar perda se as taxas de mercado subirem.
Para que serve: aposentadoria, objetivos de 5, 10, 15 anos no futuro.
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Como funciona a tributação
Não tem como falar de Tesouro Direto sem falar de imposto. O rendimento é tributado pelo Imposto de Renda, com alíquota que cai conforme o tempo que você mantém o investimento:
Até 180 dias: 22,5%
De 181 a 360 dias: 20%
De 361 a 720 dias: 17,5%
Acima de 720 dias: 15%
O imposto é cobrado no resgate (ou na data de vencimento). Não precisa declarar separado, a corretora já desconta na fonte.
Existe também o IOF, cobrado apenas nos primeiros 30 dias. Se você resgatar antes de 30 dias, paga IOF. Depois disso, só IR. Por isso, o Tesouro Direto não é ideal para dinheiro que você pode precisar em menos de 30 dias, para isso, uma conta remunerada isenta de IOF é melhor.
Como abrir conta e fazer a primeira compra
Para investir no Tesouro Direto, você precisa de uma conta em uma instituição habilitada, banco ou corretora de valores. Itaú, Nubank, Inter, XP, Rico, BTG e diversas outras plataformas oferecem acesso ao Tesouro Direto sem taxa de custódia adicional (a taxa mínima é de 0,20% ao ano cobrada pela B3, mas várias plataformas absorvem isso).
O passo a passo é simples:
Abra a conta na plataforma escolhida (processo 100% online, normalmente aprovado em minutos).
Transfira o valor que quer investir via PIX ou TED.
Acesse a área de investimentos, escolha “Tesouro Direto”.
Selecione o título (Tesouro Selic para começar).
Informe o valor e confirme a compra.
Pronto. Você é investidor.
Quanto vale a pena colocar?
Não existe valor mínimo ideal, existe o valor que cabe no seu orçamento agora. Mas quero te dar uma perspectiva concreta.
Imagine que você investe R$ 300 por mês no Tesouro Selic com a Selic a 12% ao ano:
Após 1 ano: aproximadamente R$ 3.800 (incluindo rendimentos)
Após 3 anos: aproximadamente R$ 12.200
Após 5 anos: aproximadamente R$ 22.400
Após 10 anos: aproximadamente R$ 58.000
Esses números são estimativas e variam com a Selic, mas dão uma ideia do poder dos juros compostos ao longo do tempo. R$ 300 por mês não parece muito. Mas com consistência e tempo, constroem um patrimônio real.
O que o Tesouro Direto não é
Não é milagre. Não vai te fazer rico em dois anos. Não substitui planejamento financeiro. E não é a única coisa que você vai querer na vida, conforme você aprende mais sobre investimentos, vai querer diversificar.
Mas para começar, é perfeito. É o investimento que eu recomendo para qualquer pessoa que está dando os primeiros passos, independente da idade ou do valor disponível.
Se você ainda não tem conta em corretora, esse é o seu próximo passo. Qualquer das plataformas que mencionei funciona bem. Abre a conta hoje. Faz a primeira compra com R$ 100 só para sentir como é.
Você vai ver que é bem menos assustador do que parecia.
Quer saber a diferença entre Tesouro Direto e CDB, e qual escolher para cada situação? Leia o próximo artigo: CDB ou Tesouro Direto, qual é melhor para você. E para receber mais conteúdo como esse, cadastre-se na newsletter do Grana no Azul.
